sexta-feira, 8 de abril de 2011

Não acomodar com o que incomoda...
O Teatro Mágico

A gente tem essa mania... Pior é quando essa “estranha” mania se torna um estilo de vida... Lá atrás, talvez não tão distante, dá pra identificar quando ela começou a tentar reinar...

Temos que ser inconformados... com o sistema e com o antinomismo, com a desigualdade e com a uniformidade,  com aquilo que nos consome e com o que nem cócegas faz, com aquilo que incomoda... A gente tem mania de fazer do medo um destruidor de sonhos, de projetos, de situações. Não era pra ser assim... Se ao menos pudéssemos controlá-lo, se aceitássemos o conselho de Oswaldo Montenegro... “Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio...” E então... nos acomodamos...

É até paradoxal... Se incomoda porque nos acomodamos? Difícil explicar!!! O experimento é diferente do “experimentar.” No experimento se sabe o resultado final. O “experimentar” é uma incógnita.  A vida é um experimentar... a gente apenas... vive... Neste “experimentar” está contido também aquilo que nos incomoda, mas com a voracidade da nossa rotina escravisadora, passa a ser visto como o apêndice do processo do viver. Se torna normal, apesar de nos incomodar, e paramos de lutar. Quando chegamos a esse ponto nos acomodamos com o que incomoda.

Não... não pode ser assim... não é pra ser assim. Podemos nos inconformar, lutar pelo que cremos, pelo que sonhamos, pelo que... queremos. Por mais que o futuro se apresente numa figura utópica de realidade, o amanhã só é amanhã porque pessoas protagonizaram o hoje. Precisamos ser protagonistas do presente. Precisamos lutar pelo que sonhamos, precisamos sonhar com o que queremos, precisamos querer o que sentimos, precisamos sentir o que nos incomoda. Eu sinto... mas nem tudo depende só de mim. Verdade!!! Tem coisas na vida que não podem ser feitas sozinhas... O que posso fazer então? Nunca me acomodar enquanto isso me incomodar...

(Bruno Oliveira)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Seria diferente...

Seria diferente... O hoje poderia ser ontem se entendêssemos como funciona o Kairos... Nossa limitação, entretanto, nos faz desconectar essa ligação como se o amanhã não dependesse do ontem e do hoje. Pode até não ser determinante, mas é, em muitos casos, um resultado.
Interessante falar de resultados se eles são imprecisos. Quem disse que o resultado sempre será o mesmo quando as equações forem iguais? A gente até queria que fosse... Seria mais fácil... Porém tudo seria muito obvio, e exatidão e previsibilidade não combinam com a vida.
Se a vida fosse uma equação matemática não mais lutaríamos, apenas cumpriríamos tabela. Viveríamos uma rotina que nos levaria a um porto seguro já conhecido de antemão. Mas se nosso futuro é incerto, porque continuamos a lutar? Vivemos como um ratinho de laboratório que fica exaurido correndo em uma roda que não leva a lugar algum, simplesmente porque existe um pedaço de queijo, ou um outro prêmio utópico pendurado a nossa frente, que talvez nunca vamos alcançar.
Mas seria diferente... Se resolvêssemos o nosso problema com as dimensões passado, presente e futuro dependeríamos menos do acaso e viveríamos como se tudo dependesse de nós, por mais que não dependa.
Eu queria que fosse diferente... Entretanto, sei que meu querer em relação ao passado está intimamente relacionado ao que o passado me proporcionou e transformou, e ao presente que deixou de ser passado, e direciona meu futuro. A lembrança de quem fui me faz encarar quem sou e refletir em quem me tornarei. Talvez me torne até alguém que hoje não quero ser. Talvez a estagnação nem deixe me tornar. Talvez... nem seria diferente...

(Bruno Oliveira)

sábado, 18 de dezembro de 2010

A quaresma e a tristeza divina

“Porque a tristeza de Deus produz mudança… mas a tristeza do mundo produz morte.” II Co 7:10


As quaresmeiras aí estão. Flores de fevereiro e março, anunciando que nem só de cores brancas e verdes vive a alma humana, mas também de lilases e roxas. Nem só de alegrias, mas também de tristezas. A propósito, não é tarefa das mais fáceis empreender um “dedo de prosa”, mínimo que seja, sobre o tema da tristeza. Houve tempos em que a tristeza era prima irmã da poesia, da musica, da vida. Pode-se dizer, com o testemunho de um bom numero de musicas que ainda hoje cantamos, que a tristeza sempre foi a matéria prima do fazer poético. Quem nunca cantou: “Tristeza, por favor vai embora, minha alma que chora, está vendo o seu fim….”. Ou ainda: “Cantando eu mando a tristeza embora…” Mais: “Triste madrugada foi aquela em que perdi meu violão…”

Essas músicas testemunham um tempo em que a experiência da alegria e da beleza só eram possíveis a partir do reconhecimento de uma certa tristeza nas pautas musicais da existência. Os tempos hoje são outros. Num projeto de vida em que as pessoas são tidas como máquinas, qualquer sombra de melancolia, de tristeza, de dor, deve ser abolida. Por uma simples razão: máquina não sente dor! Aos saudosos e melancólicos do presente, resta-lhes apenas o afogar-se nos remédios. É assim que lidamos com nossas tristezas: afogando-nos nos compridos.

O trecho da tradição bíblica que está em epígrafe acima faz referência à tristeza segundo Deus. Dorothee Sölle assim o interpretou: A presença divina nunca é presença observadora: a presença divina é sempre dor ou alegria de Deus. Mas, o que distingue a tristeza divina das tristezas do mundo? pergunta o apóstolo dos gentios. Tristeza do mundo é tristeza que gira em torno de si mesma, patina sem sair do lugar. É tristeza que paralisa no remorso, na lástima, no mórbido ruminar as faltas passadas, na lamuria sem fim. Nada se transforma, nada se metamorfoseia, nada muda. É tristeza que não conhece a esperança, o futuro, por estar afogada no passado. É Tristeza que mata, que corrói, que faz adoecer. Como exemplo, atente-se às tristezas próprias do mundo da aparência: a anorexia, a bulimia, sofrimento de um corpo que morre para parecer belo. Ou a tristeza do consumo: esse mal-estar diabólico que leva do nada a lugar nenhum. A tristeza da guerra, da destruição que faz morrer a palavra e perpetua o ódio.

A tristeza segundo Deus, porém, produz mudança, movimento, superação, transformação, produz vida. É tristeza que não patina nas culpas, mas avança na responsabilidade. Tristeza de parturiente, que traz a esperança e o futuro no ventre. É tristeza que gera a sagrada ira, a santa indignação, o grito, a libertação. Sem a participação na tristeza divina, o domingo da ressurreição não passa de oba-oba. Que as quaresmeiras e os ipês roxos, também próprios do tempo quaresmal, nos convidem a participar da tristeza segundo Deus, aquela que verdadeiramente nos conduz à mudança, ao arrependimento, à transformação.”

(Edson Fernando de Almeida)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Aos meus alunos do IBN


Estive na última semana dando aula no IBN (Instituto Bíblico do Norte), em Pernambuco e foram momentos especiais. Em minha despedida os alunos me entregaram uma mensagem, escrita por eles mesmos, que quero compartilhar com vocês, também como uma forma de agradecer o carinho demonstrado. Vocês são #TOP

"Talvez o tempo que tenhamos passado juntos seja considerado pouco. Ou talvez seja até suficiente. No pouco tempo que tivemos, conhecemos um servo do Senhor, que por meio de Cristo, fez-se nosso irmão, e isso o torna bem mais que um 'simples' amigo, e nos faz valorizar cada momento e cada lição deixada, tornando o tempo uma medida incapaz de medir a amizade marcada por este pequeno contato.
Fraternalmente,

Alunos do IBN"

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Quando os Amalequitas chegam...

Em I Sm 30 vemos Ziclague ser saqueada pelos Amalequitas. Quando Davi e seus homens chegaram à cidade a encontraram queimada, e suas mulheres e seus filhos foram levados cativos. Nessa situação o vs 4 nos diz:


“Então Davi e o povo que se achava com ele ergueram a voz e choraram, até não terem mais forças para chorar.”

...chorar até não ter mais forças... Muitos já viveram essa experiência. Talvez até na mesma intensidade experimentada por Davi, pois a força da dor que sentimos não depende de como os outros a interpretam, mas de como nós a vivenciamos. A dor de um término de relacionamento de um adolescente pode parecer, para muitos, banal, mas para ele é uma dor extremamente intensa, portanto deve ser respeitada. Quantas vezes já nos vimos assim e nestes momentos somos tomados pela angustia e ficamos cegos para ver que ainda não é o fim...

Não é pecado chorar, não é pecado sentir dor, não é pecado ver nossas forças esgotadas. É reflexo da nossa humanidade. Mas quando as forças acabam... O que fazer se não temos ao menos forças para chorar? O que fazer quando as forças acabam? O que a vida faz com a gente, depende daquilo do que ela encontra dentro de nós. O vs 6 mostra o que ela encontrou em Davi:

“Davi muito se angustiou, pois o povo falava de apedrejá-lo, porque todos estavam em amargura, cada um por causa de seus filhos e de suas filhas; porém Davi se reanimou no Senhor, seu Deus.”

Quando nossa vida se esvai, quando o choro for tão grande que as lagrimas se esgotarem, precisamos trocar o desespero pela confiança no senhor. O que a vida tem encontrado dentro de nós? A exemplo de Davi, temos um Deus capaz de nos levar das cinzas à restituição.

(Bruno Oliveira)

sábado, 31 de julho de 2010

31 de Julho de 2010


Lembranças...

As lembranças nos transportam para um mundo que não existe, talvez até um que já existiu. Elas nos fazem reviver momentos marcantes. As circunstâncias nos marcam não apenas porque foram prazerosas, até porque todos nós carregamos marcas de dores que sentimos no passado, e que as próprias cicatrizes... nos fazem lembrar. A gente lembra quando quer, a gente lembra sem querer, a gente lembra mesmo quando faz força pra não lembrar.

Ah... existem cicatrizes que representam momentos de intenso sofrimento, de derramar exagerado de lágrimas, mas as cicatrizes permanecem, exatamente para nos LEMBRAR que esses momentos existiram... E a gente lembra, a gente revive, a gente até esquece das cicatrizes para nos concentrar nas lembranças. Por mais que doa, por mais que as marcas fiquem, a nostalgia presente na lembrança se transforma em combustível para lembrarmos cada vez mais. Longe de ser masoquista, somos apenas... humanos... e humanos... muitas vezes se esquecem das dores... quando sentimentos são maiores que as dores. As cicatrizes passam a serem vistas com orgulho, ou talvez, como um passado que não era para ser... passado...

O Barão Vermelho estava certo: “Todo mundo é parecido quando sente dor.” A dor nos coloca num mesmo patamar. Muitas vezes a gente até esquece que é dor... Muitas vezes a gente cura câncer com esparadrapo... a gente faz como o “poeta fingidor” apresentado por Fernando Pessoa que “finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente...” Quem nunca fingiu que atire a primeira pedra!

E a gente lembra... sonhos... interrupções... momentos... situações... datas... confusões... vida... decepções... projetos... medo... e o legal é que a gente quer reviver... lembramos da intensidade dos momentos e nos esquecemos das... cicatrizes... Não vivemos de cicatrizes, de dores ou medos. Vivemos de momentos... Por isso que eles prevalecem, as lembranças vêm, e nos fazem esquecer que um dia a dor falou mais alto... Lembranças... Lembrança...

(Bruno Oliveira)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Nanda... a sobrinha que me ensinou sobre o amor!!!

Há dez anos atrás...

...Eu me achava o cara mais feliz do mundo, e era... Você veio ao mundo, entrou em minha vida. Sua existência ensinou muito sobre mim mesmo. Mostrou do que eu sou feito. Me recordo como se fosse hoje... No auge da minha adolescência, já era líder por onde passava, comecei a “me achar”. Quando eu te peguei nos braços pela primeira vez... eu não tinha dúvida nenhuma que seria capaz de dar a minha vida por você. Naquele instante, tive a sensação que o mundo parou ao nosso redor. Descobri o quanto sou frágil. Eu te olhava e pensava: Como pode alguém que acabou de chegar em minha vida, que não possui nem “meio” metro, ser capaz de brotar em meu coração tanto amor...

Mas o fato é que eu me senti frágil como você, naquela hora. Um ano e meio depois o chamado de Deus iria me afastar geograficamente de você. Minha maior dor era pensar em não estar perto, enquanto você crescia. Não ia suportar voltar a minha querida Montes Claros, e te notar me olhando como um estranho, visitante, amigo do papai...

E naquela rodoviária... como foi difícil. Eu olhava pela janela e te via, tirando a chupeta da boca e mandando beijos, orientada pelos seus pais. Será que algum dia ela demonstrará esse carinho de livre e espontânea vontade? Será que a distância não a impedirá de criar um sentimento pelo “Titio que mora longe” e que tanto a ama? Será que algum dia ela vai saber como “tá” doendo em mim, como eu a amo? Eram perguntas que eu me fazia.

Dez anos se passaram. Hoje você completa uma década. Os 860 Km continuam a nos separar, mas me ensinaram que o amor é maior que qualquer percurso, ou melhor, o amor É O MELHOR PERCURSO. Hoje falei com você pelo telefone. Toda nossa conversa, com certeza você se lembra, só não sabe o quanto chorei quando desliguei por causa das suas últimas palavras: “Eu também te amo muito, Tio...” Nenhum dinheiro no mundo pode pagar o que sinto agora. Nesses dez anos, não apenas você cresceu, mas eu também. Alcancei títulos, concluí cursos, tive reconhecimentos de instituições e governos, mas hoje, você me fez sentir aquele adolescente de dez anos atrás. Mais uma vez me questiono se algum dia vai saber o quanto te amo... Hoje me sinto novamente o cara mais feliz do mundo, porque a distância, mesmo atrelada ao tempo, só me faz ter a certeza de que não só amo, mas sou amado. Nanda, isso faz toda a diferença para mim. Contei essa história, porque relacionamento É história. Não existe relacionamento conceitual. Através dessa história, neste dia tão especial, queria apenas dizer que você e Ana Luísa fazem de mim o “Titio” mais feliz do mundo.

(Bruno Oliveira)